10.5.07
Deu na Bandeirantes AM: Segundo o respeitado jornalista José Paulo de Andrade, o secretário que coordena as subprefeituras do Município de São Paulo, Ronaldo Souza Camargo, esteve em contato com a Fundação Cacique Cobra Coral, a fim de negociar a realização de um rito espiritual contra as chuvas na cidade de São Paulo, garantido tempo seco durante a visita do Papa Bento XVI.
O comentário surge devido ao espanto da incoerência: como uma cidade que recebe o Papa, líder católico, pode solicitar a uma entidade de outra profissão de fé (a propósito, contrária a fé cristã), a garantia de que não haverá chuva. Nem a NASA consegue (embora já esteja estudando tal prática) fazer ou não fazer chover com precisão.
Ora, ora… Só falta o secretário recepcionar o Papa com os dizeres: Saravá, meu Papa! É o samba do criolo doido mesmo!
9.5.07
Em derradeira atividade realizada com alunos do 5º semestre de Administração de Empresas, procurou-se explorar através de um texto paradidático, um embate de idéias sobre o esforço necessário ao sucesso das carreiras. Na mesma aula, buscou-se uma auto-reflexão dos universitários sobre até onde abririam mão da sua vida pessoal (saúde, finanças, relacionamentos e lazer) para a realização profissional.
A questão-chave se resumiu como: Até onde você sacrificaria sua vida pessoal para a concretização do seu sonho profissional?
Na primeira indagação, os alunos oralmente reagiram com a não aceitação de sacrifícios em prol do sucesso de suas carreiras, alegando que a família e a saúde eram inegociáveis.
Posteriormente, quando responderam formalmente no papel, talvez pela racionalidade e frieza das afirmações, o índice surpreendentemente se inverteu. Os números indicaram que 60% dos alunos aceitariam sacrifícios para realizar seu sonho profissional; 35% não aceitariam, e 5% ponderaram suas respostas em relação ao que iriam sacrificar. Um aluno, ironicamente, disse que abriria mão do seu casamento “imediatamente”.
Tal questionamento é muito relativo, principalmente se levarmos em conta o quanto as pessoas se abatem, se motivam, se dedicam e até mesmo, o quanto sonham. Não se mensura, ou melhor, não se quantifica sacrifício. Só quem o exerce pode dizer se valeu a pena ou não.
6.5.07
Na última sexta-feira, o presidente Lula, de maneira corajosa, permitiu a quebra de patentes, ou licenciamento compulsório como alguns juristas estão dizendo, dos coquetéis Anti-Aids.
É claro que, torna-se vexatório para qualquer empresa cobrar preços abusivos sem justa causa, principalmente se os mesmos são remédios.
O laboratório Merck, por exemplo, vendia o medicamento anti-Aids Efavirenz com preços diferenciados à Tailândia em relação ao Brasil. E sem justificativa comercial ou financeira! Segundo a Folha de São Paulo (clique no link), tal medida resultará em uma economia de US$ 130 milhões, a serem aplicados no próprio combate a Aids.
A grande questão é: fere-se a Moral (quebrando-se uma regra para o fim social), ou se fere a Ética (interferindo num certo de maneira abusiva ao desrespeitar o esforço científico do laboratório)?
Particularmente, neste episódio, não acredito estar sendo quebrada nem a ética nem a moral, mesmo respeitando as muitas opiniões contrárias que surgem.
2.5.07
Há quase 1 mês, o mundo se deparou com o violento ataque de um estudante sul-coreano na Universidade de Virgínia. Foram 32 mortes, de maneira estúpida e, racionalmente, incompreendida.
Porém, enquanto que no Brasil se comentava tal fato, pouco se noticiou que, na mesma data, 26 pessoas morreram vítimas da violência na cidade do Rio de Janeiro.
Qual a diferença de tanta estupidez nos crimes cometidos? Quais as causas? Qual motivo para o inconformismo estrangeiro e o pouco alarde no caso nacional?
Infelizmente, parece que estamos nos acostumando com a galopante onda de violência. Casos assim se tornaram corriqueiros, trazendo certa naturalidade e aceitação para muitos.
Uma pergunta pertinente: será que o excesso de armas nas mãos dos cidadãos pode não ser um indicador? Lembrando que, nos EUA, o porte de armas é permitido. Será que se fosse proibido, o estudante envolvido não teria tanta facilidade de cometer tais homicídios?